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Teka, a gatinha de Três patinhas

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Teka e sua mania de dormir na terra, entre as flores dos canteiros do jardim

 

Esta história foi há um bom tempo atrás, quando eu estava em minha pré-adolescente. Não consigo lembrar exatamente do ano, sou péssima para recordar datas. Mas foi num final de ano, entre novembro e dezembro, disso eu lembro muito bem.

Meu Pai, trabalhava (e trabalha até hoje), em um jornal regional na cidade de Pato Branco. A sede do jornal fica ao lado de um terreno grande, cheio de árvores frutíferas e flores, e o morador do terreno tinha alguns cachorros para cuidar do lote, da raça rottweiler.

Eis que naquele final de ano, alguém abandonou uma gatinha filhote por lá. Preta com branco, peludinha, uma graça. Algumas crianças (que eu diria que são ou muito ingênuas, ou muito maldosas), jogaram a gatinha dentro do canil dos rottweilers, e eles a atacaram, arrancando metade de uma de suas perninhas traseiras, e a deixando muito ferida no abdôme e costas.

 

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Tiko, o Gato do Lixo

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O Campus do CEFET de Pato Branco é bastante retirado da cidade, pode-se dizer pelo menos uns 2km. É depois de um viaduto, pegando uma rodovia estadual, cercada de pequenos sítios e algumas áreas de mata nativa.

Eu deveria ter uns 16 anos de idade, e estudava no CEFET. Eu tinha um amigo muito querido, o inseparável Diego, vulgo “Mortadella”. Certo dia eu e este meu amigo, numa aula vaga, estávamos comendo salgadinho sentados na calçada em frente à guarita do portão da escola, esperando o tempo passar pra pegar o ônibus de volta para casa, em uma tarde quente e abafada.

Estávamos de papo, quando o Diego levantou-se para jogar o pacote de salgadinho no lixo, logo atrás do portão. Quando ele chegou lá, me chamou: “Luh, vem aqui ver uma coisa…”. Pensei que fosse algum bilhete de alguém, alguma brincadeira de alunos, ou até uma pegadinha dele, pois ele costumava brincar e zoar muito todos os colegas.

Quando chego lá, olho para dentro do lixo, e visualizei um bichinho escuro, todo sujo, minúsculo, lambendo um guardanapo engordurado, que antes deveria ter envolvido alguma comida. Um gatinho, feio, magrinho, pequenino e arisco, muito arisco.

Assim que me movimentei para pegá-lo, ele já me mostrou seus dentes e rosnou pra mim. Escondi as mãos, e apenas olhei para o pobre bichinho: Estava faminto, sujo, e com uma expressão amedrontada. Eu não podia deixá-lo ali, pois sei que muita gente não gosta de gatos, e não iria demorar para algum aluno fazer alguma maldade à ele.

Disse ao Diego: “fique aí cuidando dele, já volto!”. Fui até a minha mochila, que estava jogada na calçada da guarita, peguei um casaco que tinha dentro, e voltei à lixeira. Cobri a lixeira com o casaco, deixando o gatinho sem saber onde eu estava. Empurrei o casaco para dentro do lixo, com as mãos, até sentir o bichano, e em seguida o peguei e o enrolei rapidamente no casaco. Queria salvá-lo, mas não queria ser machucada por ele! Nunca se sabe, o gatinho poderia ter raiva, ou alguma outra doença.

Assim que o enrolei no meu casaco, ele se acalmou. Segurei-o contra o meu peito e o acariciava, e falava “está tudo bem agora…”. Ele entendeu, ficou quietinho e até ronronava! Ele sabia que eu queria tirá-lo daquele lixo e dar à ele uma nova vida!

Aí surgiu um problema: como eu iria levá-lo para casa? Nos ônibus não são permitidas as entradas com animais, e meu pai não poderia vir me buscar. O que fazer? contei com a sorte.

Disfarcei o gatinho no casaco, e sentei no fundo do ônibus. Ele não miou, não se mexeu, parecia estar colaborando para não sermos pegos pelo cobrador do ônibus. Só passei pela catraca na hora de desembarcar, e o cobrador viu o gatinho e reclamou, então eu disse: “agora não tem mais jeito, já estou na porta da minha casa!”. Desembarquei, e o Diego veio junto comigo, queria cuidar do gatinho também. Ainda nem sabíamos se era “menino” ou “menina”.

A primeira coisa que fizemos foi dar um bom banho nele! O gatinho estava todo sujo, com o pelo duro e engordurado. Quando o mergulhamos na água, o gato sumiu! como ele era magrinho! Pobrezinho, deveria ter passado muita fome!Depois que o secamos com a toalha, descobrimos que a sua pelagem era muito diferente! parecia um gato do mato, com pintas parecidas às de uma onça!

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Tiko e sua bela pelagem.

Fomos para a sala, e peguei um punhadinho de ração dos meus outros gatos e ofereci para ele na minha mão. Ele cheirou, cheirou, mas não se atreveu nem à lamber. Lembrei que havia um resto de peito de frango na geladeira, e foi o que dei à ele! Ele comeu como um louco, não mastigava, engolia! E ainda fazia os sons de “Nom,Nom,Nom”, deseperado, achando que alguém iria roubar dele aquela comida. O coitadinho comeu tão rápido, que acabou até vomitando, acho que ele não estava acostumado a comer tanto!

Depois de limpinho e alimentado, eu e o Diego o batizamos de Tiko, não sei porquê. Mas o nome combinava com ele. O Diego foi para casa, e eu fiquei com o grande problema de “apresentá-lo” à minha mãe quando ela chegasse. Já tínhamos outros gatos em casa, minha mãe iria à loucura quando me visse com mais um. Eu sempre fui uma “Maria-junta-gato”, onde eu passava, sempre achava gatos abandonados e os levava para casa.

Minha mãe chegou, o viu, e me meteu bronca. Me disse pra arranjar um outro dono para ele, mas que até lá, nós cuidaríamos dele. Eu estava de coração partido, pois eu sentia que eu tinha a obrigação de cuidá-lo e ficar com ele, e eu sentia que ele precisava de mim, eu não podia deixá-lo ir, ele já havia sofrido muito, e sei que comigo ele seria um gato feliz.

Algumas semanas se passaram, e ele foi ficando cada vez mais lindo! Sua pelagem foi se definindo melhor, foi ganhando peso, e seus lindos olhos verde-água faziam uma combinação perfeita com a pelagem escura. Seu rosto era perfeitamente simétrico. Neste momento, minha mãe (que também é apaixonada por gatos), já havia se apegado nele e meu pai também (desde o dia em que ele chegou). Aí ele ficou pra família!

Eu sempre comprava a resvista “O Pulo do Gato” e pelas características físicas e de personalidade, descobri que ele era de uma raça muito especial, a raça American Shorthair. Ele era um gato muito dócil, carinhoso, e preocupado com seus donos. Sabia os horários de todo mundo da casa, harmonizou-se fácil com os outros gatos (Mimi e Teka), e depois de um tempo a gatinha Tika entrou para a família, e virou a melhor amiga do Tiko.

Mas agora vem a parte triste da história: Ele era um gato extremamente caçador, e eu demorei um pouco para castrá-lo. Ele costumava ficar 2 ou 3 dias fora, e voltava, mas um dia não voltou mais.

Eu torço para que ele tenha se perdido, e alguma família o tenha adotado, mas eu sei que não, pois gatos são espertos, e não se perdem. Infelizmente tem algumas pessoas neste mundo que não gostam de animais, e vê-los cruzando uma rua ou um muro, é um motivo para matá-los.

Passei dias o procurando, chamando, perguntando para os vizinhos, mas nenhum sinal do Tiko, ele havia realmente desaparecido.

Eu posso ter perdido o Tiko, mas eu sei que enquanto ele viveu comigo, em minha casa, sempre foi um gato feliz e amado. E não importa o quanto o tempo passe, eu jamais esquecerei o meu gato do lixo!

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Tiko mostrando sua língua, junto à sua melhor amiga (também adotada), Tika.

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Uma outra curiosidade sobre Tiko, era sua fascinasção por câmeras fotográficas. Não podia me ver com a câmera na mão, que corria e enrolava-se em minhas pernas, e fazia muitas poses para fotografá-lo! Super fotogênico!

 

 
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