Tika e seus lindos olhos cor de mel.
No mesmo ano que juntei o gato Tiko do lixo, no segundo semestre adotei uma princesa. A minha princesa de cauda longa e olhos cor de Mel, a Tika.
Eu estudava à tarde e fazia cursinho à noite na época, minha cabeça bombava de tanto estudar, mal tinha tempo de passar um tempinho com meus três gatos (Teka, Mimi e Tiko). Meu pai sempre me buscava depois das 23h no cursinho, eu chegava morta de cansada em casa, querendo minha cama e nada mais.
Minha casa era em um bairro de classe média, um dos bairros que eu julgo um dos mais bonitos de Pato Branco (PR), pois cada esquina tem um pequeno bosque, e entre um quarteirão e outro, há uma quadra inteira com bosques cheios de árvores, balanços e campos de futebol. A minha casa era de esquina, e na frente dela havia um bosque enorme, cheio de ipês, eucalípitos, amoreiras e abacateiros, e abaixo da minha casa, antes da rua que fazia esquina com a minha rua, também havia um bosque com pessegueiros, pitangueiras e outras árvores. Atravessando a rua deste bosque, havia um outro bosque, que acompanhava a rua inteira, inteligando todas as ruas perpendiculares à ela.
Quando meu pai me buscava do cursinho, ele vinha por esta rua de baixo da minha casa, e virava a esquina da nossa rua e estacionava na garagem. Devido à grande quantidade de àrvores, era amedrontador mergulhar os olhos para dentro dos bosques. Era tudo muito escuro, e a luz dos postes não alcançava muitos metros adentro dos árvores.
Certa noite, na minha jornada pós-cursinho, vi de relance num bosque dois pequenos pontos brilhantes, que refletiram a luz dos faróis do carro. Imaginei que fosse algum bichinho qualquer, há gambás, preás e outros pequenos mamíferos nesses bosques dos quais falei. Quando desembarquei do carro, ouvi um miado de longe. Aí o faro da “maria-junta-gato” entrou em ação. Falei pro meu pai: “Pai, você tá ouvindo um miado de filhotinho?”, ele respondeu que não, que devia ser um dos nossos gatos, pois eles sempre miavam na porta quando nós chegávamos em casa. Mas o que eu tinha ouvido era um miado diferente dos miados de nossos três gatos, que eram adultos. O que ouvi foi um filhotinho chamando sua mãe.
Entrei em casa e continuei ouvindo, falei pra minha mãe e ela não ouvia, e me disse que poderia ser de algum vizinho, afinal, as menininhas dos vizinhos de cima também gostavam de gatos, poderiam ter arrumado algum. Mas meu sexto sentido dizia que não, que era um gato perdido pedindo socorro, ou chamando sua mãe. Aí lembrei daqueles “faróizinhos” do meio do mato, que vi quando passamos com o carro na rua de baixo. Rapidamente lembrei da localização, desci a rua em direção ao local que vi os olhinhos brilhantes.
Chegue lá e não ouvi mais miado nenhum. Chamei, chamei, procurei, e não via nada naquele escuro. Eu tenho fobia de aranhas, e estava morrendo de medo de entrar no meio daquele bosque, pois havia tempo que não tiravam o mato, e estava muito fechado para entrar. Estava pensando em alguma alternativa, quando vi entre às árvores, onde a luz do poste alcançava, um gatinho murisco e peludo, passando e se acariciando em um galho. Eu estava certa! eu sabia que tinha ouvido um gatinho! Tentei me aproximar, mas o gatinho se afastava, porém não fugia. Dava para ver nitidamente que se tratava de um gato manso e carinhoso, pois se esfregava nos galhos e troncos e soltava um miado baixinho, como se estivesse me jogando charme. Mas o problema é que e o gatinho se afastava, e eu não queria fazer movimentos bruscos ou correr atrás dele, pois sabia que o gatinho ficaria com medo e daí sim fugiria. Eu teria que conquistá-lo.
Passei a mão em um graveto, e comecei a fazer movimentos no chão, para brincar. O gatinho se escondeu atrás de um tronco, e ficou em posição de “ataque”, para pular no galhinho e morder. Não deu muitos minutos, e ele pulou e se agarrou no galho, e eu puxei o galho para mim, arrastando o gatinho junto. Fui rápida e peguei o gatinho, acho que foi até pelo cangote que o peguei.
Peguei no colo, e o gato ficou relutante, queria descer, mas eu não queria deixar. O gatinho era grande, mas na verdade era muito magrinho, ele só era peludo, e isso dava a impressão que era gordinho. Quando puxei pela mão, até fiquei surpresa, pois peguei-o com uma força para um peso x, mas era muito mais leve do que eu tinha imaginado.
Vi que era uma gatinha, dei ração à ela, que devorou num segundo. Ela estranhou muito os outros gatos, ficou com os pêlos eriçados, e se escondeu atrás da geladeira. Alguns dias depois já estava habituada, sentindo-se a rainha da casa. Mas virou princesa, porque rainha era a Teka, que já dominava o pedaço há mais tempo, e era mais geniosa também.
Ela apegou-se muito ao Tiko, ele era apaixonada por ela. Lambia, acariciava, onde ela ia, ele ia junto, dormiam juntos, brincavam juntos (prinpalmente porque ele recém tinha virado adulto, e os outros gatos não brincavam, mas com a Tika ele podia brincar muito!). Na realidade, Tika era uma gata muito amistosa, e logo se entrosou com Teka e Mimi, e mais tarde quando adotamos a Pretice, também se davam muito bem!
Tika com a Pretice, Tiko e Teka. Era muito amistosa com os outros gatos da casa.
A Tika tinha todas as características de um gato da raça Maine Coon, apesar de eu nunca ter ido atrás de confirmar isso. Ela ficou muito grande quando ficou adulta, era gigante! E tinha uma cauda muito comprida, peluda, e como ela ficou pesada! era uma gata e tanto. Não miava, tanto que nos primeiros meses, achei que ela fosse muda, ela miou somente para eu a resgatar no meio do bosque. Adorava fazer massagens tanto em mim e nos meus pais, quanto no Tiko.
Tika era uma gata extremamente caçadora. Ainda mais com todos aqueles bosques em volta de casa, muitas vezes ela ia fazer suas caçadas neles. Preás, pássaros. Até houve uma vez que a Tika caçou uma passarinha corruíra fez um ninho numa casinha que colocamos no beral da casa. Aí como a Tika matou a mãezinha passarinha, e os passarinhos filhotes já haviam chocado, nós os recolhemos e cuidamos deles até achar um ninho de outra corruíra para colocá-los lá para ela ensinar à voar.
O Tiko depois de um tempo desapareceu, a Tika teve filhotes, ficou um bom tempo conosco, até que um dia, ela sumiu também. Como ela era muito caçadora, e saía muito nas ruas e bosques, temi que houvesse acontecido com ela o mesmo que aconteceu com o Tiko. Eu e minha mãe à chamamos, andamos ruas e quarteirões e não à encontramos.
Um dia minha mãe à achou, estava se arrastando em direção à nossa casa, da cintura pra baixo esmagada, estava cheirando podre, e tinham algumas larvas no meio da carne esmagada. Ela havia sido atropelada, e veio como pôde, se arrastando em direção à nossa casa. Chorando, à juntamos com uma pá e colocamos numa caixa de uma bota, levamos imediatamente para o veterinário, que com uma expressão triste, nos disse que não tinha o que fazer, que ela já deveria estar a muito tempo naquela situação, e que poderíamos fazer é proporcionar um alívio para aquela dor que a Tika sentia: Sacrificá-la. Relutamos com a decisão, mas realmente, não havia como salvá-la, e ela estava sofrendo muito. Autorizamos o veterinário à aplicar a injeção letal, infelizmente não houve fazer. E pra piorar, o veterinário não tinha algum lugar destinado para o corpo dela, então tivemos que enterrá-la no quintal de casa, o que aumentou ainda mais o nosso sofrimento.
O que me deixa admirada até hoje, é a força de vontade que ela teve de voltar para casa se arrastando, naquela situação, com toda a dor que estava sentindo. Ela sabia que nós éramos sua família e seu porto seguro, e que não iríamos abandoná-la naquele momento tão triste. Eu fico imaginando o alívio que ela sentiu quando nos viu quando à resgatamos toda machucada, talvez o mesmo alívio que sentiu quando nos à proporcionamos um lar, com carinho, comida e proteção.
Vou sentir muita falta da Tika, ela era meu xodó, minha princesa dos olhos cor de mel. Eu que nunca tive irmãos, via nos gatos uma forma de companhia, e a Tika foi uma grande companheira. Eu podia estar em qualquer lugar da casa, e ela sempre estava lá, do meu lado, puxando meus dedos com as patas para acariciá-la, ela sabia que isso me deixava feliz e me acalmava, no meio de uma fase ruim da minha vida. Obrigada por tudo, Tika!
Tika: Linda e Fotogênica!



A sua gata era muito linda mesmo, Luh!
A forma que você escreveu a história dela, foi bem emocionante…
Mais uma vez, parabéns pelo blog!
@Pipitakitty E eu me emociono escrevendo! Eu chorei muito quando escrevi essa história da Tika, pois realmente foi muito doloroso quando não tivemos alternativa à não ser sacrificá-la. Foi como se tivéssemos perdido uma pessoa da família. Mas mesmo os meus gatinhos que se foram, sempre ficam aquelas boas lembranças inesquecíveis! ahhh esses gatinhos… :3
Aaaai não :(
Chorei junto, viu? Ganhei dois gatinhos, e seria muito triste se o mesmo acontecesse a um deles… Sinto sua dor na minha pele, viu? Tô muito triste agora… Mas a Tika deve estar descansando bem agora… Mas ainda assim, que dó! Maldita seja a coisa que a atropelou :’(
Nossa, seu texto me fez chorar. A gata era linda mesmo! Ter um gatinho é um dos meus maiores sonhos, tô batalhando pra realizá-lo, por mais simples que possa parecer… Parabéns pelo texto, abraço!