Um Gatinho Diferente

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Gosto de muitos tipos de bichinhos, não só de gatos, apesar de serem minha grande paixão. Mas sabe como é, quem ama algum bichinho na natureza, ama praticamente todos. E houve uma época que minha mãe vivia falando que uma amiga criava gansos, que eram fofos, que eram companheiros, e tal. Aquilo me dizia alguma coisa, eu só não sabia o quê.

Um dia minha mãe voltou da aula (ela é professora), toda feliz, que a amiga que criava gansos, ia dar um filhotinho de ganso pra ela. Achei aquilo um pouco estranho, ainda mais a gente que só tinha gatos. Tinha certeza que os gatos iam estranhar o bichinho, e que a gente ia ter que cuidar pros nossos gatos não comê-lo até que crescesse e pudesse se defender.

Num final de semana a amiga da minha mãe trouxe o gansinho. Era muito fofo! amarelinho, parecia um patinho! Na verdade, eu demorei pra entender a diferença entre patos e gansos. Ele tinha sido recém chocado, era bem filhotinho mesmo. Comia couve e quirera.O batizamos de Crispim, por ser o nome de um personagem caipira e engraçado da novela Alma Gêmea, que passou em 2005.

Onde a gente ia, Crispim corria atrás desesperadamente, piando muito, piando sem parar. E a chegada dele foi bem numa época em que eu fazia pouca coisa da vida, então, eu que cuidava dele boa parte do tempo. Minha mãe disse que o Crispim era muito pequeno e indefeso pra deixar fora de casa, então, ele foi criado como um gato, dentro de casa, como se fosse gente.

Eu tinha meus afazeres domésticos, e o Crispim vinha atrás de mim. Como todo Ganso, é um passo e uma cagadinha. Eu não suportava aquilo. Fora que ele ficava fazendo “pi-pi-pi” o tempo todo, não ficava um minuto sequer sem piar. Eu o deixava dentro de uma caixinha, mas ele pulava pra fora da caixa, e um segundo depois estava nos meus pés.

O Crispim chegou bem numa época em que minhas duas gatas (Pretice e Tika), tinham tido filhotes. A Pretice teve um filhote, uma gatinha cinza chamada Lilika, e a Tika teve 3 filhotes, um faleceu logo no parto e viveram dois: o Tigrão e o Anjinho. Com o passar dos dias, os gatos se acostumaram com a presença do Crispim. E o Crispim gostava dos gatos! Ele dormia no meio dos filhotes da Pretice e da Tika, e os filhotes brincavam com ele! Ele era um gatinho diferente, que parecia ter nascido na mesma ninhada dos filhotes das gatas!

Crispim foi acostumado a ficar na sala, mas ele foi crescendo, e os gansos ficam enormes, gente! o bicho cresceu muito. Das ninhadas das gatas, eu acabei ficando com a Lilika, que se tornou a melhor amiga do Crispim. Às vezes, quando o Crispim ficava muito quieto no quintal, era certo de que ele estaria bicando  a Lilika de leve, como se fosse um carinho. E ficavam um tempão assim, só se acariciando. Era muito linda a interação entre os dois, sem nenhum preconceito, como se fossem da mesma espécie.

Nosso quintal era o espaço onde Crispim ficava depois que cresceu, mas a bacia onde ele costumava nadar ficou pequena demais pra ele. Nesta época eu trabalhava num laboratório, e os alguns kits para as análises de um certo aparelho, vinham dentro de uma caixa de isopor GIGANTESCA. Um dia pedi se podia levar a caixa, cobiçando pra fazer uma piscina pro Crispim. Num sábado meu pai buscou a caixa no laboratório, e no domingo eu e minha mãe colocamos no quintal da casa. Enxemos com água, e fizemos uma rampa para ele poder entrar, pois a caixa era bem alta. Fazia muito tempo que o Crispim não nadava mais, e vendo aquela piscina enorme ele ficou muito feliz! gritava, corria com as asas abertas, festejando o novo laguinho. Contentes, eu e minha mãe entramos em casa e deixamos ele se divertindo. Depois de um tempo, o Crispim parou de gritar e festejar. Por ouvir o silêncio, fomos ver o que tinha acontecido com ele. Ele estava do lado da caixa, olhando triste pra dentro dela. Chegamos mais perto, e a caixa estava VAZIA! sim, vazia, pra tristeza do Crispim… Descobrimos que, depois de tanto ele mergulhar de bico dentro da piscina, ele furou o fundo, e esvaziou a caixa. Ele ficou muito triste, mas a situação dele olhando triste pra nós e pra caixa, como se dissesse: “olha, aconteceu algum problema aqui…”, foi muito engraçada.

Fora que o Crispim atacava as pessoas. Ganso é muito bravo pra quem não é conhecido, é pior do que cachorro. Várias vezes nós tinhamos que salvar vizinho, carteiro ou visita, das garras, digo, do bico, do Crispim. Mas não se engane, o Crispim era “pop”, na vizinhança. Todo mundo gostava dele, as menininhas do vizinho de cima vinham quase todo dia visitá-lo. Ele era muito querido por todos.

Por ser criado na sala, o Crispim acostumou-se com TV. Depois que cresceu e passou morar no viveiro do quintal, ele sentia falta de estar comigo, com meus pais e com os gatos vendo TV. Ele sempre dava um jeito de fugir da casinha dele, pular a cerquinha da porta dos fundos, e quando menos esperávamos, lá estava ele vendo TV. E se a TV não estivesse ligada, ele gritava, como se dissesse: “Mãe, liga a TV!”

Foram muitas as passagens engraçadas com Crispim, ele parecia mais um gato do que um Ganso. Pena que depois de um tempo ele ficou stressado, o quintal era pequeno de mais para ele. Decidimos que o melhor para ele seria morar em um sítio, e ele foi. Foi pra o sítio de pessoas que sabíamos que iriam cuidar muito bem dele, assim como nós. Lá ele vive até hoje, tem lago, outros gansos, e até adotou os filhotes de uma gansa!

Você deve estar se perguntando: O que um blog de Histórias de Gatos tem a ver com gansos? simples. O Crispim foi criado como um gato, dentro de casa, na companhia de gatos, e adotou os gatos como sua família, que também o adotaram como um gato. Um gato diferente, mas mesmo assim, um gato. Tem gente que não acreditava tamanha era a amizade dele com os gatos da casa, como ele cuidava e defendia a gata Lilika, e como ele cuidava da nós e da casa. Foi muito bom tê-lo, foi uma experiência unica e divertida!

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Crispim sempre no meio dos gatos! Brincando ou dormindo, lá estava ele!

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Crispim adulto, ele era enorme!

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6 Comments on "Um Gatinho Diferente"

  1. lelecomunello disse:

    Muito linda essa história ! Me lembro que uma vez o Crispim quase me ‘mordeu’ ahahahahah’ , foi divertido ! :D

  2. Gata Lili disse:

    Os animais dão verdadeiras lições de vida aos humanos! Parabéns pelo blog. Está simplesmente demais!

  3. lelecomunello disse:

    Bom demais ler essas histórias vividas por nós, me emocionei muito ao recordar todas essas histórias desses animais maravilhosos que fizeram parte de nossas vidas e dos que ainda fazem.
    Parabéns Luh!
    Beijos, você é maravilhosa!!!

  4. Marta Costa Vale Rodrigues disse:

    Sobre o Crispim, eu tenho uma teoria de que os animais, salvo as exceções normais, “puxam” aos donos. Já tive inúmeros animais, que sempre interagiam como se fossem uma família carinhosa, não importando se tivessem pêlos ou penas. Para êles, que não têem preconceito, só o amor rege as relações.

    • Luh disse:

      Isso aí Marta! o que eu mais admiro nos animais é esse sentimento caloroso que eles tem uns com os outros, superando preconceitos e amando animais de outras espécies. Nós humanos temos muito o que aprender com os animais!

  5. Aninha disse:

    Q história linda!!!!!!!!!!! AmeiiiiiSó os humanos tem preconceitos…. os animais vivem e lidam muito com bem com as diferenças!bjos

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