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Teka, a gatinha de Três patinhas

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Teka e sua mania de dormir na terra, entre as flores dos canteiros do jardim

 

Esta história foi há um bom tempo atrás, quando eu estava em minha pré-adolescente. Não consigo lembrar exatamente do ano, sou péssima para recordar datas. Mas foi num final de ano, entre novembro e dezembro, disso eu lembro muito bem.

Meu Pai, trabalhava (e trabalha até hoje), em um jornal regional na cidade de Pato Branco. A sede do jornal fica ao lado de um terreno grande, cheio de árvores frutíferas e flores, e o morador do terreno tinha alguns cachorros para cuidar do lote, da raça rottweiler.

Eis que naquele final de ano, alguém abandonou uma gatinha filhote por lá. Preta com branco, peludinha, uma graça. Algumas crianças (que eu diria que são ou muito ingênuas, ou muito maldosas), jogaram a gatinha dentro do canil dos rottweilers, e eles a atacaram, arrancando metade de uma de suas perninhas traseiras, e a deixando muito ferida no abdôme e costas.

 

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Um Gatinho Diferente

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Gosto de muitos tipos de bichinhos, não só de gatos, apesar de serem minha grande paixão. Mas sabe como é, quem ama algum bichinho na natureza, ama praticamente todos. E houve uma época que minha mãe vivia falando que uma amiga criava gansos, que eram fofos, que eram companheiros, e tal. Aquilo me dizia alguma coisa, eu só não sabia o quê.

Um dia minha mãe voltou da aula (ela é professora), toda feliz, que a amiga que criava gansos, ia dar um filhotinho de ganso pra ela. Achei aquilo um pouco estranho, ainda mais a gente que só tinha gatos. Tinha certeza que os gatos iam estranhar o bichinho, e que a gente ia ter que cuidar pros nossos gatos não comê-lo até que crescesse e pudesse se defender.

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Gato Preto: Azar é não ter um!

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Há toda uma superstição negativa que envolve o nosso amigo felino de pelagem negra. Para alguns, basta apenas um indefeso gatinho preto cruzar seu caminho, que acreditam estar sentenciados ao azar. Essa “história” vem sido trazida desde os tempos da idade média, quando acreditava-se que bruxas se transformavam em gatos pretos, como uma forma de disface, para que pudessem realizar seus atos macabros de feitiçaria e magia negra sem serem capturadas e queimadas pelos inquisidores.

Hoje, em tempos onde já se sabe que a Terra não é o centro do Universo, e já cogita-se até em cura para a AIDS, ainda há pessoas que acreditam que o gatinho preto da vizinha é um enviado do capeta para assolar as vidas das pessoas de bem. É por essa e outras crenças idiotas, que acredito que o mundo está bem longe de ser um lugar de paz e harmonia. O que o pobre gatinho tem a ver com azar?

Como sou uma eterna “maria-junta-gato”, pela minha jornada felina já recolhi muitos gatos de rua, e muitos desses gatos eram pretos. Dá pra ver nesse tipo de coisa o quanto o pessoal é preconceituoso com o bichinho. E quando eu fazia doação de ninhadas encontradas, ou até mesmo de  filhotes das minhas gatas, os filhotinhos pretos sempre eram os últimos à serem adotados por alguém, ou até mesmo, ninguém adotava. Nós ficávamos com eles porque ninguém os queria. Nas clínicas veterinárias e casas agropecuárias que tem espaço pra doação, a maioria são gatinhos pretos. Boa parte dos gatos de rua são pretos.

Deu pra perceber o quanto os gatos pretos são excluídos, não é? Gato preto só dá azar de não ter um! ou de não gostar deles! são animais lindos, que comparo à beleza das raríssimas onças-negras. Principalmente quando bem cuidados, os gatos pretos de pêlo curto, ficam com a pelagem lisa e brilhosa, lembrando cetim preto.

Tive vários gatos pretos, inclusive uma gatinha preta que tinha muita sorte! Ela foi abandonada em minha casa, e nós a adotamos. Depois de uns tempos, ela ficou prenhe e foi atropelada, sobreviveu e ficou com as perninhas quebradas e teve o parto normalmente, todos os filhotes nasceram saudáveis e bonitos. Depois de uns tempos alguém que não gostava muito de gatos pretos, resolveu dar uma pedrada ou uma paulada na cabeça dela para matá-la, mas ela não só sobreviveu, como voltou pra casa pedindo ajuda. Apenas perdeu um olho, mas está super bem de saúde. Ela venceu e sobreviveu à todas essas adversidades, e ainda nos trouxe muita alegria! é pura Sorte!

Tem gente que é devoto de São Francisco, mas não pode ver um gato preto na frente que já acha que o animalzinho é do mau e tem pacto com o capeta. Tem gente que se diz tão bondoso, mas dá veneno pro gatinho preto da vizinha para matá-lo. Outros, compram um gato Persa de mais de mil reais, mas não adotam um gatinho preto, que traria o mesmo amor, alegria e carinho que um gato dá. Para todas essas pessoas, digo: é hora de rever seus conceitos. É esse tipo de preconteito que matou tanta gente, e ainda mata pessoas inocentes todos os dias.

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Tiko, o Gato do Lixo

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O Campus do CEFET de Pato Branco é bastante retirado da cidade, pode-se dizer pelo menos uns 2km. É depois de um viaduto, pegando uma rodovia estadual, cercada de pequenos sítios e algumas áreas de mata nativa.

Eu deveria ter uns 16 anos de idade, e estudava no CEFET. Eu tinha um amigo muito querido, o inseparável Diego, vulgo “Mortadella”. Certo dia eu e este meu amigo, numa aula vaga, estávamos comendo salgadinho sentados na calçada em frente à guarita do portão da escola, esperando o tempo passar pra pegar o ônibus de volta para casa, em uma tarde quente e abafada.

Estávamos de papo, quando o Diego levantou-se para jogar o pacote de salgadinho no lixo, logo atrás do portão. Quando ele chegou lá, me chamou: “Luh, vem aqui ver uma coisa…”. Pensei que fosse algum bilhete de alguém, alguma brincadeira de alunos, ou até uma pegadinha dele, pois ele costumava brincar e zoar muito todos os colegas.

Quando chego lá, olho para dentro do lixo, e visualizei um bichinho escuro, todo sujo, minúsculo, lambendo um guardanapo engordurado, que antes deveria ter envolvido alguma comida. Um gatinho, feio, magrinho, pequenino e arisco, muito arisco.

Assim que me movimentei para pegá-lo, ele já me mostrou seus dentes e rosnou pra mim. Escondi as mãos, e apenas olhei para o pobre bichinho: Estava faminto, sujo, e com uma expressão amedrontada. Eu não podia deixá-lo ali, pois sei que muita gente não gosta de gatos, e não iria demorar para algum aluno fazer alguma maldade à ele.

Disse ao Diego: “fique aí cuidando dele, já volto!”. Fui até a minha mochila, que estava jogada na calçada da guarita, peguei um casaco que tinha dentro, e voltei à lixeira. Cobri a lixeira com o casaco, deixando o gatinho sem saber onde eu estava. Empurrei o casaco para dentro do lixo, com as mãos, até sentir o bichano, e em seguida o peguei e o enrolei rapidamente no casaco. Queria salvá-lo, mas não queria ser machucada por ele! Nunca se sabe, o gatinho poderia ter raiva, ou alguma outra doença.

Assim que o enrolei no meu casaco, ele se acalmou. Segurei-o contra o meu peito e o acariciava, e falava “está tudo bem agora…”. Ele entendeu, ficou quietinho e até ronronava! Ele sabia que eu queria tirá-lo daquele lixo e dar à ele uma nova vida!

Aí surgiu um problema: como eu iria levá-lo para casa? Nos ônibus não são permitidas as entradas com animais, e meu pai não poderia vir me buscar. O que fazer? contei com a sorte.

Disfarcei o gatinho no casaco, e sentei no fundo do ônibus. Ele não miou, não se mexeu, parecia estar colaborando para não sermos pegos pelo cobrador do ônibus. Só passei pela catraca na hora de desembarcar, e o cobrador viu o gatinho e reclamou, então eu disse: “agora não tem mais jeito, já estou na porta da minha casa!”. Desembarquei, e o Diego veio junto comigo, queria cuidar do gatinho também. Ainda nem sabíamos se era “menino” ou “menina”.

A primeira coisa que fizemos foi dar um bom banho nele! O gatinho estava todo sujo, com o pelo duro e engordurado. Quando o mergulhamos na água, o gato sumiu! como ele era magrinho! Pobrezinho, deveria ter passado muita fome!Depois que o secamos com a toalha, descobrimos que a sua pelagem era muito diferente! parecia um gato do mato, com pintas parecidas às de uma onça!

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Tiko e sua bela pelagem.

Fomos para a sala, e peguei um punhadinho de ração dos meus outros gatos e ofereci para ele na minha mão. Ele cheirou, cheirou, mas não se atreveu nem à lamber. Lembrei que havia um resto de peito de frango na geladeira, e foi o que dei à ele! Ele comeu como um louco, não mastigava, engolia! E ainda fazia os sons de “Nom,Nom,Nom”, deseperado, achando que alguém iria roubar dele aquela comida. O coitadinho comeu tão rápido, que acabou até vomitando, acho que ele não estava acostumado a comer tanto!

Depois de limpinho e alimentado, eu e o Diego o batizamos de Tiko, não sei porquê. Mas o nome combinava com ele. O Diego foi para casa, e eu fiquei com o grande problema de “apresentá-lo” à minha mãe quando ela chegasse. Já tínhamos outros gatos em casa, minha mãe iria à loucura quando me visse com mais um. Eu sempre fui uma “Maria-junta-gato”, onde eu passava, sempre achava gatos abandonados e os levava para casa.

Minha mãe chegou, o viu, e me meteu bronca. Me disse pra arranjar um outro dono para ele, mas que até lá, nós cuidaríamos dele. Eu estava de coração partido, pois eu sentia que eu tinha a obrigação de cuidá-lo e ficar com ele, e eu sentia que ele precisava de mim, eu não podia deixá-lo ir, ele já havia sofrido muito, e sei que comigo ele seria um gato feliz.

Algumas semanas se passaram, e ele foi ficando cada vez mais lindo! Sua pelagem foi se definindo melhor, foi ganhando peso, e seus lindos olhos verde-água faziam uma combinação perfeita com a pelagem escura. Seu rosto era perfeitamente simétrico. Neste momento, minha mãe (que também é apaixonada por gatos), já havia se apegado nele e meu pai também (desde o dia em que ele chegou). Aí ele ficou pra família!

Eu sempre comprava a resvista “O Pulo do Gato” e pelas características físicas e de personalidade, descobri que ele era de uma raça muito especial, a raça American Shorthair. Ele era um gato muito dócil, carinhoso, e preocupado com seus donos. Sabia os horários de todo mundo da casa, harmonizou-se fácil com os outros gatos (Mimi e Teka), e depois de um tempo a gatinha Tika entrou para a família, e virou a melhor amiga do Tiko.

Mas agora vem a parte triste da história: Ele era um gato extremamente caçador, e eu demorei um pouco para castrá-lo. Ele costumava ficar 2 ou 3 dias fora, e voltava, mas um dia não voltou mais.

Eu torço para que ele tenha se perdido, e alguma família o tenha adotado, mas eu sei que não, pois gatos são espertos, e não se perdem. Infelizmente tem algumas pessoas neste mundo que não gostam de animais, e vê-los cruzando uma rua ou um muro, é um motivo para matá-los.

Passei dias o procurando, chamando, perguntando para os vizinhos, mas nenhum sinal do Tiko, ele havia realmente desaparecido.

Eu posso ter perdido o Tiko, mas eu sei que enquanto ele viveu comigo, em minha casa, sempre foi um gato feliz e amado. E não importa o quanto o tempo passe, eu jamais esquecerei o meu gato do lixo!

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Tiko mostrando sua língua, junto à sua melhor amiga (também adotada), Tika.

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Uma outra curiosidade sobre Tiko, era sua fascinasção por câmeras fotográficas. Não podia me ver com a câmera na mão, que corria e enrolava-se em minhas pernas, e fazia muitas poses para fotografá-lo! Super fotogênico!

 

Onde Há Gatos, Há histórias

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Quem possui um gato, sabe do que estou falando. Gatos são animais incríveis, com personalidades diferentes um do outro, por mais que sejam definidos perfis para cada raça existente. talvez seja esse fato de um gato não ser igual ao outro, que nos deixe tão fascinados por eles.

Por terem essa personalidade tão marcante, carregam muitas histórias. Gatos que brincam, gatos que defendem, gatos que brigam, gatos que são preguiçosos, comilões, são tantas histórias, que nem lembramos de todas.

Algumas dessas histórias viram notícia: gato que salva a dona de incêndio (clique aqui para ver esta notícia), gato que liga para a polícia e salva o dono (leia aqui a notícia), embora muito casos como estes não tenham sido relatados, acredito eu.

Há quem prefira cachorros, e que digam que são mais úteis para a sociedade do que os gatos. Talvez digam isso porque não estejam acostumados à forma de amar dos gatos, pois não é da forma “puxa-saco” dos cachorros, e além disso, tem vontades próprias. Pra ser sincera, gosto dos dois, tanto de gatos quanto de cachorros, e de muitos outros animais. Mas eu aprendi a gostar de gatos desde muito pequena (antes de nascer! hahaha), e sei perfeitamente que quando adquiro um gato, eu sei que vou viver uma nova história! Com cachorro não, nunca fui surpreendida por um, sempre é alimentar, lavar o canil, levar para passear, joga pauzinho, busca pauzinho. Minha relação com os cães nunca passou disto, apesar de amá-los muito.

O gato, por sua vez, é independente, inteligente, ágil, esperto, e muito, muito bonito. É um animal que se fez notar ao longo da história da humanidade, seja pela sua glória durante a civilização agípcia, ou por literalmente “tocar o terror” na idade média, por ser assimilado à bruxaria, azar e feitiçaria (e tem gente que acredita nisso até hoje).

Até hoje as pessoas tem muito preconceito com os felinos, não só pelo mito ligado à Magia Negra, mas também por estar ligado à doenças, como a toxoplasmose. Poucos sabem, ou se recusam a acreditar que a toxoplasmose está presente nos cães, nas aves e outros animais, não exclusivamente nos gatos.

Todavia, nós que amamos gatos, sabemos que nada disso é verdade, e entregamos nossos corações e nossas atenções para estes animais maravilhosos! Eles alegram nossos dias, nos dão amor, carinho, e amizade fiel, do jeitinho deles. E com a suas histórias, muitas vezes, aprendemos lições de vida, mudamos nossos caminhos, aprendemos a dar valor à outras coisas, e aprendemos à viver, como eles: curtindo a liberdade e sendo nós mesmos.

Este blog, nasceu das lembranças de interações que tive com os gatos ao longo da minha vida. Foram muitas! algumas lembranças tristes pela perda de alguns, mas ainda revivem as boas lembranças dos episódios cômicos, da chegada do bichano na família, entre tantas outras memórias.

Quero que você leitor, faça parte das minhas lembranças e também compartilhe as suas Histórias de Gatos comigo, e com os outros leitores! Aposto que há muitas histórias à serem contadas! Conte-me suas histórias!

 
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