
Sabem aquela frase, “o bom filho à casa torna”? Bom, com o Mimi foi bem assim. Mimi, antes de ser chamado por esse nome, era um dos filhotes de uma das muitas ninhadas da Maroca teve (Maroca uma gata siamesa que nós tinhamos há um tempo atrás). Colocamos os filhotes daquela ninhada da Maroca para doação, e o motorista de kombi que levava e trazia minha mãe do trabalho, o Didiano, levou o mimi para casa.
Mimi era o xodó de Didiano. Andava de kombi pra lá e pra cá, todo faceiro, nos ombros do dono, que andava sempre furado e arranhado. Volta e meia minha mãe chegava com alguma nova história que Didiano contava do gatinho siamês. E quando Didiano viajava, o Mimi “hospedava-se” lá em casa. Sempre foi muito querido e brincalhão.
Algum tempo depois, Didiano casou-se, e teve seu primeiro filho, e não pode mais ficar com o Mimi. Mas o Mimi era tão querido e bem cuidado pelo Didiano, que Didiano só doaria o Mimi se fosse para minha mãe. Claro que minha mãe não recusou, afinal, eu e meus pais jamais nos negamos à adotar um gatinho.
Didiano, de coração partido, entregou o Mimi para nós, e como o Mimi já era adulto, demorou um pouco para acostumar-se conosco, à casa e aos nossos outros gatos. Primeiro adaptou-se melhor com a minha mãe, pois ela o Mimi ainda lembrava. Com o tempo acostumou-se com tudo, e como Didiano o paparicava muito, nós tivemos que continuar as paparicações. Mimi sempre foi, e ainda é, cheio de manias, algumas até são divertidas.
Uma das manias, é sua dose diária de mortadela. Mas não é qualquer mortadela, tem que ser a de frango da Turma da Mônica (Perdigão). Se for oferecida à ele outra marca mortadela, o Mimi não come. Fora sua mania de subir nos guarda-roupas e armários. Ah, e tem também a mania de fazer xixi na pia do banheiro.
O Mimi nunca teve uma boa relação comigo. Na verdade, ele tem ciúmes da minha mãe. Minha mãe é propriedade exclusiva dele. Aí ele brigava comigo, me arranhava, mordia, meio que de brincadeira, mas já me machucou várias vezes. E o engraçado, é que quando eu ainda morava com a minha mãe, e eu ficava doente, o Mimi parecia “arrepender-se” das maldades que fazia comigo, e não desgrudava de mim um minuto. Eu estava de cama, com dor, com febre, e ele estava lá na cabeceira da cama, ou no travesseiro, me olhando fixamente, parecendo se preocupar comigo e querer minha melhora. Mas não adiantava, era eu melhorar, que a boa relação acabava.
Hoje, Mimi tem aproximadamente 9 ou 10 anos. Está aparentando sentir o peso da idade, mas mesmo assim continua com seus “pegas”, correndo pela casa e pelo sofá (para o desespero da minha vó, que agora é a preferida dele). Quando alguma das gatas tem filhotes, ele fica do lado da caixinha, e quando algum se mexe, dá uns tapas no gatinho pra brincar. Ele fica encantado com filhotes. E quando os filhotes começam a ficar espertos e sair da caixinha para brincar, é a maior alegria do Mimi. Ele parece voltar a ser filhote e brinca como uma criancinha. Só que por ele ser grande e pesado(é castrado), ele é bruto e acaba derrubando os filhotes, mas mesmo assim, os gatinhos adoram ele.
Quando meus pais ainda não tinham se separado, o Mimi era amigão da Teka, e ajudava ela a coçar o que não podia, pela falta que ela tem de uma das patinha. Mas aí, com a separação dos meus pais, “repartiram-se” os gatos também. Aí a Teka ficou com meu pai, e o Mimi ficou com a minha mãe. Nisso, Mimi acabou perdendo a grande amiga dele, maior dózinho, pois os dois se gostavam bastante.
Apesar da idade, e dos pêlos grisalhos no focinho e nos olhos, Mimi aparenta estar muito bem de saúde, se bem que à partir de agora, a gente pode esperar que ele vá apresentando mais sinais da idade, além das que já tem apresentado. Esperamos que ele tenha ainda muito tempo de vida, e é claro, com muita saúde. Ele é um membro da família, e como todo familiar, dita suas regras em casa, mas também nos proporciona muitas coisas boas, como seu carinho, suas brincadeiras, e suas massagens vigorosas que faz com as patinhas.


Mimi, com sua fitinha vermelha no pescoço, para comemorar o Natal!